segunda-feira, 18 de novembro de 2019

De: Mário Quintana

Extraterrena

Para Cecília Meireles
Nós colhíamos flores de hastes muito longas
E cujos nomes nem ao menos conhecíamos…
E nem sequer, também, sabíamos os nossos nomes…
E para quê, se um para o outro éramos Tu, apenas…
Ou quem sabe se a Morte nos houvera bordado
numa tapeçaria
A que o vento emprestasse a vida por um momento?
E por isso os nossos gestos eram ondulantes como as
plantas marinhas
E as nossas palavras como asas suspensas no vento…"   

"... Foi a Cecília Meireles, ela era muito bonita, todo mundo era apaixonado por ela, todos nós. Ela era muito minha amiga, foi quem publicou meus sonetos e poemas lá no Rio”. 

 “Eu acho que a Cecília Meireles é a maior poeta brasileira da primeira metade do século, porque para nós outros, para disfarçar um pudor de sentimentalismo, a gente se refugia no humor, e ela nunca. Ela sempre foi poeta puro..."


A Resposta: 
Quintanhares
O Natal foi diferente
porque o Menino Jesus
disse à Senhora de Sant’Ana:
“Vovozinha, eu já não gosto
das canções de antigamente:
cante as do Mario Quintana!
Viram-se então os anjinhos
de livro aberto nas mãos
deslizar no ouro dos ares.
Estudaram nova solfa
pelos celestes caminhos
e ensaiaram quintanares.
Deixaram cair os versos
que já sabiam de cor
pelos telhados das casas.
E o milagre das cantigas
foi que até seres perversos
amanheceram com Asas..."
Cecilia Meireles



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