terça-feira, 31 de dezembro de 2019

À Minha Filha Louise

Lou,

Não estou carente.
Você que está longe.
É tudo sua culpa,
não é culpa dos meus pais.( rs)
A minha prima Mãe-Virgo falou:
"Vc vai sentir falta da barriga.
 Sabemos que o Bebê está bem."
Não sinto + falta. (Rs)
- O Meu bebê vai ser o que ELE quiser!
Confesso que usava "Ele" propositalmente.
(Chamava vc de LINO escondido.)
Fiquei triste, quando soube que vc não era só MEU...bebê.
No seu primeiro ano novo,
alguém me convenceu.
 Éramos só nós três.
(Ouça a música do Pato Fu)
"Mentirosinho"
Mentira+Amorzinho.
Antes de nascer, você tinha avós,
Tios, Primos, Não-Padrinhos,
Amicos e até a minha Mamãe.
Não existe gênero para uma mãe.
Só queremos um filho saudável.
Depois acrescentamos o resto.

Quando fiz o seu Mapa Astral,
O astrólogo perguntou:
- Vcs já sabem o sexo?
-Ele vai decidir quando crescer.
Falava isso para todo mundo.
-ELE ascende em Áries.
-Isso muda tudo!- disse o meu EX Odiozinho, atual seu Pai.

O seu Tio falou:
- Você tem até os 24 para escolher.
Espero até os 28.
VC já contou para o seu Pai
que voltou com a EX?
(Gênero feminino)
E o signo dela?
Vc assistiu Telma & Louise?
O Meu EX encontrou inspiração
para o seu nome...
Eu conheci o Brad Pitt.
O amor de Nitche chamava-se Lou
Acho que estou carente...
Preciso de um cachorro para passear.

Em todos anos,
Desejo para mim.
Que meu bebê seja Saudável!

Lou ou Lino

domingo, 29 de dezembro de 2019

Carta ao Prefeito

Sr.Prefeito do D.F.


Eu sou um desses estranhos animais que têm por habitat o Rio de Janeiro; ouvi-me, pois, com o devido respeito. Sou um monstro de resistência e um técnico em sobrevivência - pois o carioca é, antes de tudo, um forte. Se às vezes saio do Rio por algum tempo para descansar de seus perigos e desconfortos (certa vez inventei até ser correspondente de guerra, para ter um pouco de paz) a verdade é que sempre volto.
Acostumei-me, assim, a viver perigosamente. Não sou covarde como esses equilibristas estrangeiros que passeiam sobre fios entre os edifícios. Vejo-os lá em cima, longe, dos ônibus e lotações, atravessando a rua pelos ares e murmuro: eu quero ver é no chão.
Também não sou assustado como esse senhor deputado Tenório Cavalcanti, que mora em Caxias e vive armado; moro bem no paralelo 38, entre Ipanema e Copacabana, e às vezes, nas caladas da noite, percorro desarmado várias boates desta zona e permaneço horas dentro da penumbra entre cadeiras que esvoaçam e garrafas que se partem docemente na cabeça dos fiéis em torno. E estou vivo.
Ainda hoje tenho coragem bastante para tomar um ônibus ou mesmo um lotação e ir dentro dele até o centro da cidade. Vivo assim, dia a dia, noite a noite, isto que os historiadores do futuro, estupefatos, chamarão a Batalha do Rio de Janeiro. Já fiz mesmo várias viagens na Central. Eu sou um bravo, senhor.
Sei também que não me resta nenhum direito terreno; respiro o ar dos escapamentos abertos e me banho até no Leblon, considerado um dos mais lindos esgotos do mundo; aspiro o perfume da curva do Mourisco e a brisa da Lagoa e -sobrevivo. E compreendo que, embora vós administreis à maneira suíça, nós continuaremos a viver à maneira carioca.
Eu é que não me queixo; já me aconteceu escapar de morrer dentro de um táxi em uma tarde de inundação e ter o consolo de, chegando em casa, encontrar a torneira perfeitamente seca.
Prometestes, senhor, acabar em 30 dias com as inundações no Rio de Janeiro; todo o povo é testemunha desta promessa e de seu cumprimento: é que atacaste, senhor, o mal pela raiz, que são as chuvas. Parou de chover, medida excelente e digna de encômios.
Mas não é para dizer isso que vos escrevo. É para agradecer a providência que vossa administração tomou nestas últimas quatro noites, instalando uma esplêndida lua cheia em Copacabana. Não sei se a fizestes adquirir na Suíça para nosso uso permanente, ou se é nacional. Talvez só possamos obter uma lua cheia definitiva reformando a Constituição e libertando Vargas.
Mas a verdade é que o luar sobre as ondas me consolou o peito. E eu andava muito precisado.
Obrigado, Senhor.
Rubem Braga - Rio, junho de 1951

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

À João Sem Terra

Magna Charta Libertatum 


"NENHUM HOMEM LIVRE...                   
será preso, aprisionado ou privado de uma    propriedade, ou tornado fora-da-lei, ou           exilado, ou de maneira alguma destruído,     
 nem agiremos contra ele ou mandaremos      alguém contra ele, a não ser por julgamento legal dos seus pares, ou pela lei da terra."                                                                                      


"A ninguém vendemos, a ninguém recusaremos ou atrasaremos,        
 Direito ou Justiça."                          

O QUE É SER HOMEM LIVRE? Estamos presos a nossa Liberdade? 


JOÃO sem terra não é...                       
Henrique, nem Ricardo                         
Ou Guilherme, O meu Conquistador.  
Não é Giovanni ou Yohan ,                   
  ジョン  ou  يحيى                                     
O seu nome não é Jonny 
Ou outro apelido.
Mestre, 
O Seu nome é João.                        
Eu já disse, eu sei, sou repetitiva. 
 *Seu João   
-kd o João ?SEU JOÃO !                   

 *xingamento da Doutora 

                           Theo Amico  

"Quero um nome + Bonito..."
Depressão Urbana

"Em 18 de dezembro de 2007 Rubenstein comprou por 21,3 milhões de dólares (14,8 milhões de euros) na Sotheby's de Nova Iorque."  
Wikipédia não é uma Fonte Confiável, mas eu adoro. 
A carta Magna foi escrita em1215.


sábado, 7 de dezembro de 2019

De: Khalil Gibran

Minha Amada, Minha Adorada, minha...Mary 

"...Nada pode nos afastar; nem eu, nem você podemos mudar esta relação.
Eu quero que você se lembre pelo resto dos seus dias, que você é a pessoa mais importante do meu mundo.
Que, mesmo que você casasse sete vezes, com sete homens diferentes, tudo continuaria igual em meu coração.
E hoje, também entendo que o nosso casamento era impossível.
Ele teria destruído a ambos.
Nossa vida em comum terminou sendo guiada de uma maneira diferente, e por isso fomos salvos.
Você me ajudou a descobrir a mim mesmo, e ao meu trabalho.
Eu penso que fiz o mesmo com você, e agradeço aos Céus por estarmos juntos."
Khalil Gibran

Paulo Coelho fala do Gibran:
"(...)
Gibran não era nem um revolucionário nem um sábio. Era um homem, como todos nós — e trazia em sua alma as mesmas dores e alegrias que nós trazemos; Entretanto, através de seus livros foi capaz de manifestar a grandeza de Deus.
Penso que, no fundo, sabia que um dia toda a sua correspondência confidencial seria publicada — e quis mostrar-se por inteiro, sem mistificar o seu papel de escritor.
Com isto, nos deu um bom exemplo; todos nós podemos aspirar ao que ele conseguiu, porque seguimos — a nossa maneira — o difícil e belo Caminho das Pessoas Comuns.
(...)
Ele esqueceu de colocar Pessoas Comuns que moram em Zurique.

25 de dezembro de 1912 (DM) 

Não posso planejar minhas horas de sono, de trabalho, ou de exercício, Mary. 
Sempre ouvimos falar que todos são capazes de acordar, tomar chá, e ir para a cama num determinado horário, todos os 
dias — e se orgulham desta disciplina. 
Para mim, esta gente está vivendo apenas o Mesmo Dia Sempre. 
Eu preciso deixar que aconteçam as coisas que precisam acontecer, então é necessário estar aberto para o inesperado. 
Eu sou diferente a cada dia que passa e, quando tiver oitenta anos, espero ainda 
estar experimentando mudanças internas e externas. 
Se chegar a esta idade, não vou ficar pensando nas coisas que já fiz, porque quero usar cada porção de vida que ainda resta. 
Não posso planejar nada de importante, só pequenas coisas. 
Quem planeja o que é importante, 
transforma tudo em pequenas coisas.

Khalil Sobre o seu livro O Profeta:
(...)
Não estou tentando escrever poesia. Procuro  expressar pensamentos. Quero o ritmo e a palavra de tal forma que não sejam percebidos, mas que simplesmente penetrem como a água no tecido, e que o pensamento seja aquilo que fique registrado.'
(...)

15 de novembro de 1917 

Minha amada Mary: 
Obrigado pelo açúcar e pelos livros; hei de consumi-los com muito cuidado. 
Engraçado que nunca tive prazer em ler livros sobre sexo. Talvez eu não tenha sido curioso o bastante, ou tenha uma mente tímida demais. Mas agora eu desejo saber tudo que acontece debaixo 
do sol, das estrelas, ou da lua. Pois todas as coisas são belas, e se tornam ainda mais belas quando não temos medo de conhecê-las e experimentá-las. 
A experiência é a Vida com asas. 



De: Mary Haskel (escreve para Diário)

20 de dezembro de 1914

No almoço, perguntei a Kahlil se ele gostava dos cinco quilos que engordei depois que — em Setembro — ele me sugeriu que fizesse isso. Ele respondeu que não havia notado.
De volta ao seu estúdio, eu pressionei a saia em torno de minha perna, de modo que pudesse ver sua forma.
 Estão finas?, perguntei.
Estou surpreso”, respondeu ele. “Nunca vi sua perna, e sempre procurei imaginá-la usando o seu braço como referência. As pessoas geralmente fazem isto.”
Estou sempre completamente vestida, respondi. Perguntei se ele queria que me despisse, e julgasse por si mesmo o meu corpo.
“Se este quarto não estivesse tão frio, eu iria pedir que fizesse isto”, disse ele.
Nós aumentamos a calefação, e eu tirei a roupa.
Você em um corpo saudável, forte e perfeito”, ele comentou.
Notei que a minha nudez o havia tocado.
Os homens têm medo de mulheres como você”, disse Kahlil.
“Eles não gostam de sentir-se
perturbados.”
Eu me vesti de novo, porque não queria que a idéia de sexo viesse à tona.
Kahlil colocou os braços em torno de mim, e beijou-me. Continuei sentindo este beijo por três dias seguidos.

31 de dezembro de 1914 

Às 8:30, K. chegou. Nós nos sentamos no sofá, e eu pedi que tirasse o seu colarinho. Ele deitou-se e estendeu o braço; eu deitei ao seu lado, com minha cabeça em seu ombro.
Ficamos em silêncio. Eu coloquei meu braço por debaixo do seu casaco. Tudo que ele fez, foi perguntar-me se eu estava pegando fogo. Sim, respondi. Porque estou sentada ao lado do forno.
Ele riu: “Sou eu o seu forno?”, disse.
Contei a Khalil que o encanamento de água quente havia quebrado. “uma peça tão resistente, que mesmo um trem passando por cima não conseguiria destruir, rachou por causa de algumas gotas d’água que congelaram no seu interior.”
Isto tinha me feito pensar que muitas outras coisas têm a mesma invencibilidade e poder.
Eu passeava minha mão sobre sua bela face, sentindo que tocava um jardim de flores. Quando meus dedos tocaram seus lábios, ele segurou-os.
Da mesma maneira que os jovens se abraçam, nos abraçamos. Sua mão estava sempre em meu corpo — às vezes parada, às vezes movendo-se para cima ou para baixo. E ele me beijou a boca, com paixão.
E assim foi.

Querido Diário,

Ler: Carta Resposta para o Libanês.

Do Theo.

Carta Resposta Para um Libânes

Sierra, 18 de Abril

Penso que nunca acreditei nas poucas palavras de amor que me disseste, ou nas muitas que não ousastes pronunciar; como era complicada minha maneira de te amar! Agora entendo o quanto te fiz, sofrer e quanta coisa joguei fora para mantê-las longe de nós.
Por alguns momentos, acreditei que tudo o que foi afastado jamais retornaria. Então perguntei as nossas almas se tinha razão. Não escutei nenhuma resposta imediata, mas logo a visão de uma montanha apareceu diante de mim. E eu entendi que a culpa não tinha sido do meu coração, mas
da falta dele.
Peço perdão por tudo que tentei destruir, e pela dor que te causei. 
Meu amado Kahlil parece que não escrevo para você, mas com você. E os dias são mais tranquilos, porque você está sempre ao meu lado.
Nas Sierras, onde quer que se vá, pode-se escutar sempre o barulho da água correndo nos rios. Da mesma maneira, onde quer que eu esteja, posso perceber os teus sentimentos fluindo por meu coração.
Que Deus te abençoe. Que Deus nos abençoe.
Tua Mary.

Ou Theo Castro Pinto.