20 de dezembro de 1914
No almoço, perguntei a Kahlil se ele gostava dos cinco quilos que engordei depois que — em Setembro — ele me sugeriu que fizesse isso. Ele respondeu que não havia notado.De volta ao seu estúdio, eu pressionei a saia em torno de minha perna, de modo que pudesse ver sua forma.
Estão finas?, perguntei.
“Estou surpreso”, respondeu ele. “Nunca vi sua perna, e sempre procurei imaginá-la usando o seu braço como referência. As pessoas geralmente fazem isto.”
Estou sempre completamente vestida, respondi. Perguntei se ele queria que me despisse, e julgasse por si mesmo o meu corpo.
“Se este quarto não estivesse tão frio, eu iria pedir que fizesse isto”, disse ele.
Nós aumentamos a calefação, e eu tirei a roupa.
“Você em um corpo saudável, forte e perfeito”, ele comentou.
Notei que a minha nudez o havia tocado.
“Os homens têm medo de mulheres como você”, disse Kahlil.
“Eles não gostam de sentir-se
perturbados.”
Eu me vesti de novo, porque não queria que a idéia de sexo viesse à tona.
Kahlil colocou os braços em torno de mim, e beijou-me. Continuei sentindo este beijo por três dias seguidos.
31 de dezembro de 1914
Às 8:30, K. chegou. Nós nos sentamos no sofá, e eu pedi que tirasse o seu colarinho. Ele deitou-se e estendeu o braço; eu deitei ao seu lado, com minha cabeça em seu ombro.Ficamos em silêncio. Eu coloquei meu braço por debaixo do seu casaco. Tudo que ele fez, foi perguntar-me se eu estava pegando fogo. Sim, respondi. Porque estou sentada ao lado do forno.
Ele riu: “Sou eu o seu forno?”, disse.
Contei a Khalil que o encanamento de água quente havia quebrado. “uma peça tão resistente, que mesmo um trem passando por cima não conseguiria destruir, rachou por causa de algumas gotas d’água que congelaram no seu interior.”
Isto tinha me feito pensar que muitas outras coisas têm a mesma invencibilidade e poder.
Eu passeava minha mão sobre sua bela face, sentindo que tocava um jardim de flores. Quando meus dedos tocaram seus lábios, ele segurou-os.
Da mesma maneira que os jovens se abraçam, nos abraçamos. Sua mão estava sempre em meu corpo — às vezes parada, às vezes movendo-se para cima ou para baixo. E ele me beijou a boca, com paixão.
E assim foi.
Querido Diário,
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