MontesquiEU, MontesquiVocê
Hallo, Amico!
Perdoa-me?
Há muitos dias não escrevo, nem mesmo um bilhete ou Cartão de Natal.
Estou há semanas perdida em meu "Ritual de Fim de Ano".
No meio de papéis escritos a lápis, antigos livros de capa dura e roupas demodê.
Ou seja os poucos e todos os bens materiais, que pretendo desfazer, assim como as velhas idéias.
Ando procurando por palavras e continuo trabalhando em um TEXTO sobre o Perdão.
Não encontro AMOR e não o perdoou por isso.
Vou *XEROCAR uma CARTA de Montesquieu e te enviar.
Guardarei esse livro, pois é o Primeiro Livro que grifo com caneta.
O que comprova o meu atual desleixo e a falta de cuidado com todas as minhas coisas materiais.
Adquiro-as com tanto facilidade e abandono com um despropósito singular.
Tenho certeza que guardas o teu exemplar em francês, intacto e devidamente encadernado, assim como nossas cartas, enumerada, segue uma CARTA PERSA.
CARTA 82
De Rica a Ibben
Em Esmirna
"Embora os franceses falem muito, há no entanto entre eles uma especie de derviches taciturnos que são chamados *Cartuchos. Dizem que se cortam a língua ao entrarem no convento e muitos desejariam desejariam que todos os outro derviches cortassem igualmente tudo para o que a sua profissão lhes torna inútil.
A proposito de homem taciturnos, há outros muito mais singulares e que possuem um talento extraordinário. São aqueles que sabem falar sem nada dizer e que conduzem uma conversa durante duas horas, sem que nada seja possível desvendá-los, de ser plagiário deles nem de reter uma palavra daquilo que disseram. Esses tipos de homens são da natureza o amável talento de sorrir facilmente, isto é, a cada instante e que ainda gozam de uma alegre aprovação sobre tudo o que dizem. Mas atingem o auge quando sabem emprestar um sentido misterioso a tudo e encontrar mil traços engenhosos nas coisas mais comuns.
Conheço outros que tiveram sucesso ao introduzir nas conversas coisas inanimadas e assim fazer falar os seus trajes bordados, sua peruca loira, sua tabaqueira, sua bengalas e suas luvas.
È capaz de começar pela rua fazendo-se ouvir pelo rumor da carruagem e pelo martelo que bate a porta;Esse prefácio previne pelo resto do discurso e, quando o Exordio é belo, torna suportáveis todas as tolices que se seguem, mas que, por felicidade, chegam muito tarde.
Eu te afirmo que esses pequenos talentos, que não merecem nenhuma atenção em nosso país,aqui servem para aqueles que se sentem felizes em te-los a disposição, em detrimento de um homem de bom senso que praticamente não merece a atenção deles."
De Paris, 6 da lua de Rebiab 2, 1715
*CARTUXOS: Referência a ordem monástica dos cartuxos, fundada por Bruno, que prima pela reclusão e pelo silêncio, com raros momentos de coloquio entre seus membros. O designativo provem da cidade francesa de Chartreux, onde a ordem foi fundada, cujo o nome latino era Carthusia, resultando Cartuxa em português. Cartucho seu habitante, bem como o designativo de monge.)
Sim, Meu Amico,
Tu me conheces como nenhum outro.
Vivo nas sombras de um novo amor,
Ilustrado nesta capa (veja abaixo).
O primeiro livro que leio em formato E.book.
Anseio por um bom e velho exemplar editado, digno de ser cheirado, abraçado, amassado, folheado...
que não grifarei com caneta.
Como disse, Montesquieu foi o único.
Com esse gesto grosseiro que cometi, talvez volte a minha inspiração e a tua próxima Cartas do THEO seja sobre o Perdão.
Talvez, talvez, meu MontesquiEU.
"...Sinto que após a nossa ultima discussão, a amizade tenha sido imprudentemente grifada com a caneta da displicência.
O Remorso corroí as paginas, o Arrependimento não chega até o Epilogo, mas o Theo Perdão estará a venda no Amazon.com, por apenas 1,99..."

Nenhum comentário:
Postar um comentário