quarta-feira, 5 de abril de 2017

Canção da EX-ILHA

 Para minha Ex-Ilha A TUA CANÇÃO                                      

NÃO TENHO TERRA

Nessa terra que não é minha,

Conquistei o que não tinha:

Esse sotaque D'Garoa,

Esses maus modos à italo-mesa,

Esse costume D'Artista,

Essa roupa D'Modista, 

Essa pressa D'Chegar,

Antes da Morte enterrar:

Essa violência fedida,

Essa peste mau-resolvida, 

Empesteando o meu leito,

Cicloviário.

Não Tenho "Bicicreta"

Vivos às margens da miséria.  

Sou THEO marginal,                           

Beirando as tuas lembranças,

Enterradas no *Jurubatuba.   

Não sou cria da terra.

Sou Criança do sol e chuva.

Tenho saudades de patinar no asfalto, 

 ouvindo as canções da minha terra.                     

Pobre Paulista que sou!

Ex-Ilhado,

Não Amo:   

Esse amor D' Rock and Roll.

Essa luxúria adolescente,

Esses pecados da nossa gente,

Esse povo do capital. 

Amo subir a serra,

A areia é minha terra.  

O mar é o rio que sou.   


Não Tenho Desculpas

Tenho a tua culpa.

Culpa daqueles que abandonam as suas Terras,

Em busca de um novo mundo de novela,

Culpa de mim, 

Esbarrando na falta de educação. 

E"çe" sabe de mais quem.               

Quem se foi é quem tem:             

Desta terra sem guarda e muita chuva.   

Desta terra onde qualquer um na rua beija a minha dor.   

Desta terra que me deu gatos, botas, sombras e metrô.

Desta terra onde aprendi a remar contra a maré, pulando de galho em galho até a SÉ.            

Desta Nostra Terra pelo meu avô herdada.

Nessa canoa furada, 

Sou filho D' João Ninguém.

Papai trouxe essa cantoria,      

Lá das terras de D'Liverpool.     

Mainha veio de lá pequinininha,

Ergueu a esperança em edifícios,

Acrescentou farofa em rios, pontes e over-drives.


Não Tenho Viola

Tenho depressão urbana.

Sou THEO caipira da Capital,

Suburbano Paulistano,    

Amico do neto do Barão,

Vizinho da Prima Matarazzo,

do condomínio do Proletariado,

onde dividimos as terras do playground.

Sem a ArteTônica da Elite Federal,

Engajados no movimento hip e hop e tal.

Não lutamos por uma vaga na garagem,

Pedimos emprestado o dinheiro da passagem.

Aqui, na única Terra que tem uma Ilha cercada de dinheiro por todos os lados? 

BR.ASilha é Exilha.

A Terra dos exilhados latifundiários.

Os verdadeiros Donos dessa TERRA. 

 "Luis Inácio falou, Luiz Inácio avisou..." meu amor cantou.


Não Tenho Língua Afiada

minha tatataraavó Tupinambá, trocou a minha língua nativa por espelhos. 

Herdei essa mania de pentear os cabelos,

E andar nua...

Ultramarinos da pequena Terra D'Camões,

nomearam as flores da Nona Rosa.

Modificaram a sintaxe dos meus arvoredos genealógicos. 

O meu Pau-Mito é herança do Seu Pinto. 

O esposo da völinda,     

Cultuou o Deus Mani.                       

O avô Dom Manuel Castro V,

Plantou em Terra alheia:                                            

Aipim, Mandioca e Macaxeira.   

O patrício serviu-se das Ervas, curando a Vila inteira.  

Herdei das terras do Dom João:                                            

Esse gosto por azulejos,    

Essa vontade de navegar até o Tejo,

Esse descaramento quando vejo:    

Um Homem-Manioca, 

Desenterrando o Pau-Brasil.    


Não Tenho Ouro

Tenho as cores flicks do Ziraldo.

Mario e todos os meus Andrades, deixaram esse meu Ar cosmopolita.

D'Euclides e Guimarães, desbravaram o meu Grande Sertão.     

GIL, arrumou a Casa Grande e a minha Senzala.  

Buarque da Holanda, arrancou as minhas Raízes.                              

O Amado Jorge, me fez mulher dessa terra:

Sou Tieta, Tereza Batista, Gaby Cravo e canela.

OH, meu Capitão de Areia, 

Ensaiando a minha cegueira.

Ai, de ti meu Amico, que tirastes o meu grão de chão!

Oxalá! Deixastes-me a tua espera,

Com Cem anos de Solidão nas mãos. 

Voltastes para proclamar a tua libertação?

-A nossa ILHA é tua?


Não Tenho a ILHA.          

Do outro lado,

Da metade da tua ponte,   

Lá de trás dos teus montes...

Não tenho mais o teu pôr,

Onde milhares de espécies de passarinhos,

são extintos pela nossa falta de amor...

NÃO TENHO o teu Sol que brilha 

De Noite,  

O teu noroeste que empurra

De frente, 

A tua Lua cheia

De dia,

As curvas do ribeirão do teu Vale,

As tuas bananas da estrada,

A tua cachorra perdida nmadrugada.

O mar pequeno do teu logramar

As  tuas dunas, as tuas corujas, os teus vaga lumes,

O teu antigo porto para embarcar,

A grande árvore da pequena Miracatu.

Não tenho a tua protegida Jureia, 

O teu caminho pela Cananeia,

Os teus siris do papi,

As tuas ostras da mami,

O barquinho do pai da ju.

E a tua esperança em Pariquera aÇu.

Nao tenho o nascer vermelho da tua ponta, 

O teu outro lado do Cardoso,

O teu medo da rua do cemitério,

A tua toca do Bugio,

A tua peregrinação até o Cristo.

OH! Meu Bom JESUS do Rocio!

A tua ILHA é o meu alimento infantil.

Equilibrando-me no meio-fio.    

Entre a Terra dos Gigantes       

e o saudoso Balseiro.  

Navegava em paz, 

Em tuas terras neutras.

E AGORA?

Sem a tua Ilha,

Não tenho a barraca do surf do Seu Portuga,

Não tenho a Sorveteria,

Não tenho a tua fila na Padaria,

Não tenho os teus AMICOS De Ilha.


O que Eu Tenho?

Tenho gelo/limão.

O meu navio é a casa dos asilados da minha própria Terra.      

O Haiti é aqui.

Terra do Garçom.    

Terra D'Cabeça OCA.    

Terra D'Peri. 

Naturalmente, o regionalismo me apontou terras para amar.    

Terras D'Alencar!  

Terra dos Gastros-Matriarcais.  

Terra Boa e nada mais.

Terra de quem fala "bobrinha".

Terra da tua Cornucópia minha.

Teu avocado voa até a Terra dos Fraternos Socialistas Comensais.

OH! Minha pequena Normandia!

Todo dia é dia D...

IGUARIA.

As tuas frutas atravessam o meu mar.

.

Não Tenho Atlântida     

Tenho 07 oceanos,

Um braço de Rio,   

Uma lagoa desviada,

Uma bota no Mediterrâneo,

Do meu avô siciliano,

Herdei o Império troiano.                                   

Tenho esses teimosos pés 

de Cimento-Americano.     

Esse desejo católico,                  

De atirar em qualquer um,     

que pisa no teu calo germânico.

Não tenho a Terra Prometida

Tenho a transitória, passageira e breve estadia nesta vida.   

Perdi o meu NÃO,  quando morreu o meu Pai-Cristão.                                                                                             

O Universo Estóico conspirou,

contra o meu castelo Anglo-Saxão.                                 

Shiva congelou o meu coração,                       

Sem o teu perdão,

Queimei fascistas, bruxas, colunistas e até o meio-Ateu.                                                       

Oriental filho meu.     

Guardo os meus ossos carbonizados,

em caixas de papelão.

São as tuas cartas seladas,

em tantas terras que conheci.

Ao teu lado as tuas TERRAS são Santas, 

Quando não estas aqui..
or todos os lados, 

"Tenho uma porção de lágrimas 
cercando as tuas  terras,
por todos os lados
molhando as minhas folhas de papel amassado..."

A TUA FRASE ECOA POR TODA A ETERNIDADE:"A ILHA é Minha!"

A minha TERRA é o silêncio, 

A minha ILHA é ter um lápis na mão.

Exilhada escrevo a tua Canção.

VOLTE PARA A TUA TERRA!

 Do THEO Ex-Ilhado Amico.

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