quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Eu, Paty, Ana Cañas e a ILHA no Verão.

Você perguntou, se a PATY é minha amiga?

Eu e Paty não somos amigas.
Paty é amiga da minha irmãzinha mais nova.
Eu e Paty sempre brigamos.
Paty era um menina mimada,que desfilava descalça pelas ruas do bairro.
Paty protestava contra o feminismo-afeminado.
Eu também sou anti-feminista, mas Paty recusava-se a usar sutiã.
Paty enfrentava de peito aberto os reveses da vida.
E porque não gosto da Paty?

Na pós-infância, as dúvidas e as certezas das nossas escolhas infanto-indecisas, eram desvirtuadas na esquina do nosso colégio, o famoso tobogã das Borboletas Psicodélicas.
Eu e tantas outras crianças contávamos as moedinhas, o troco da cartolina e do papel almaço, sem saber qual o propósito do novo sabor, que aquela cor nos revelaria:

-Esse é do quê tia?- apontávamos para o gelinho, suquinho ou geladinho, da cor do céu, da cor do mar e dos olhos do gui-gui.
-Tutti-Frutti.- respondia a tia do gelinho, enquanto conferia,  se os novos cruzados velhos cruzeiros eram reais.
Paty enfiou a mão no isopor da tia do gelinho, que também era a mãe de Emer’Son e Jefer’Son, os filhos do mesmo pai:
“-Quais são a cores e as coisas pra te prender...”- Paty cantou essa música, me mostrando a língua azul.
Paty roubou as palavras do meu amor, Herbert Vianna?
Paty deu o gelinho para uma criancinha do planedi (antigo Pré), que não conseguia chegar até o isopor, e provavelmente não tinha o troco do papel almaço.
Por isso, até hoje, desconfio do sabor Tutti-Frutti e do bom coração da Paty.

Na pós-adolecência, Paty ficou muito gorda, porque tinha olhos maiores do que a barriga.
Paty só não comeu o fusca porque era verde.
Paty era matematicamente inteligente e a sabedoria das ruas, fez com que Paty se profissionalizasse em Fazer Arte.
Paty pintou o sete e deixou todos de quatro. Boquiaberta, mamãe repetia:
“- Não acredito que Paty fez isso!”
Na juventude, eu me montava, travestia a minha identidade sub-urbana-praiana, e frequentava os bailes da elite caipira-paulistana.
Paty atravessava a roda, esbarrava em meu ombro e apontava as suas unhas mal-feitas:
-Sei onde você mora?
-Uma ameaça?- alguns temiam Paty, a sua gordura ilícita intimidavam as pessoas da alta sociedade, mas eu olhava para Paty, uma pobre garota gorda perdida e falava em tom arrogante:
-Sua vozinha sabe que você anda descabelada por aí, Paty?
Paty ficava enfurecida, gaguejava e seus movimentos ficavam descontrolados.
Paty  não se importava em ser chamada de filha de puta,
Mas o nome Avó, é sagrado, só Paty pode pronunciá-lo.
Uma vez, Paty comeu um copo de vidro, essa estória paira na mente dos ouvintes, como um ato de bravura ou coragem.
Paty mastigou o vidro, para não estrangular a cabeça da pequena pensante.
Pablita, que não mistura rosa com preto, agradece o cérebro intacto,que pensa antes de dizer Avó.
O verdadeiro ato de coragem da Paty, foi amar a si mesma como o outro a odiou, e amar o próximo que negou o teu amor. Claro, que crescemos, ficamos adultas.
Eu e Paty estávamos descurtindo uma festa de New Metal, porque somos da Tribo de Jah.
Paty sobriamente, se aproximou da minha namoradinha, dizendo que eu era um Príncipe Encantado, A namoradinha- chatinha fez um a lista de todas as coisas, que ela não gostava:
-Leite, beterraba, cenoura, dias de Sol e a minha amiga Paty.
-Paty não é minha amiga.
-É sua ex?- questionou a namoradinha.
Os amigos batem o pé, dizendo que Eu e Paty somos enrustidas.
Eu sou gay, Paty é Lésbica, e nossa irmandade beira ao sentimento cristão do arco-íris.
Em outros momentos, ficamos unidas e hasteamos a bandeira gay da dor.
Paty engordou muito e foi internada em um SPA.
Eu atendia as ligações da Paty, com palavras de consolo, mas desligava o telefone com a certeza:
-Paty,vai voltar de lá, ainda mais gorda.
E para a inveja de todas, Paty voltou magérrima e pronta para um banquete.
Informou-se e formou-se Artista, que divulga Arte à toa, no prazer de sentir Dor.
Eu e Paty vivemos os bons tempos do Venice, Vento Forte, Projeto, Rock Brasil, Camburi, Juqueí e Maresia.E nossa discussão continuava:
-Ilha do Cardoso, Paty dizia, quando Eu voltava da Ilha Comprida.
Eu e Paty dividimos o mesmo espaço, o mesmo livro, os mesmos conselhos da mamãe:
-Esquece o vento do oriente, saí dessa Brisa...
Eu e Paty compartilhamos o nosso ódio pelas benções da vida.
Eu e Paty nunca discutimos, a nossa condição distintamente sexuaintelectualizada,  pelas nossas amigas. Nunca esqueci, quando desci de saltos o morro do Deus me livre, e fui obrigada a pedir carona para Paty. Escandalizada, Paty olhou nos olhos vermelhos do meu vulgo boyfriend e disse:
-Só tem lugar para um no carro. Ele vai comigo, você fica.
Paty abraçou, o ex-futuro pai dos meus filhos, apresentou-o, para todas as suas amigas gostosas do psi-trance.
Eu corri para os braços do mar da Praia do Meio, a praia dos gays. E pedi para Iemanjá afogar a Paty.
Quando voltei Paty, me disse:
“-Esquece esse amor-subliminar, esse não é o amor, que sua mãe sonhou em te casar.”
Paty casou e tem 03 filhos, realizou seu sonho de menina, mimada, criada e educada pela avó.
Na escola das mães, Paty me dava carona em dias de chuva, e nós falávamos mal da Val, da Shirley e do preço do Tomate.
Paty é uma das melhores mães que conheci, e atualmente sofre com a saudade da mulher e dos filhos.
Paty foi novamente internada, após uma complicação pós-cirúrgica, na redução do seu estômago.
Eu estou preso, ilhado, e como todo presidiário me converti ao sagrado.
Sou Devota da música, e proclamo com louvor, uma prece musical em nome do amor.
O amor de Paty, pela famiglia e Amicos.

#Oremos Irmãos, por Ana, que não compareceu ao Show no ILHA Verão, porque está com Pedra na Vesícula.
Que todas as Pedras saiam do nosso caminho.
-Ana Cañas é uma droga!- disse Dom Henrique.
Eu e Paty não concordamos com você. Ouvindo a doce voz de Ana, tiramos algumas pedras, dos nossos sapatos.





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